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Manter ativos perfis de pessoas que já morreram pode ser prejudicial, diz especialista em saúde mental

Você abre sua rede social e lá está a lembrança. Uma foto, um vídeo ou um post no qual aparece aquele amigo ou parente que seguiu o fluxo irreversível da vida. A publicação pode causar saudosismo, vontade de chorar ou um misto dos dois, não se sabe. O que se pode projetar é que este movimento de ver cada vez mais pessoas que já morreram nas plataformas sociais tende a aumentar.

Em 50 anos, o número de perfis de pessoas mortas no Facebook será maioria em relação ao de usuários vivos. O dado soa assustador, mas esta é a projeção realizada por pesquisadores da Universidade de Oxford, no Reino Unido. O cálculo foi realizado levando em consideração a quantidade de usuários de 2018, divulgada pela própria rede social, que era de 2,3 bilhões, e a taxa de mortalidade média de cada país.

Atualmente, algumas plataformas permitem a um usuário que ele escolha uma pessoa que possa cuidar de sua rede em caso de morte. Neste caso, o perfil torna-se um memorial, ou seja, ele não aparece como sugestão de amizade, nem em lembretes de aniversário, mas, dependendo das configurações, amigos podem compartilhar lembranças na linha do tempo da página em questão.

Professora de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)e integrante do Cora, núcleo de estudos sobre luto do Centro de Estudos da Família e do Indivíduo, Caroline Santa Maria avalia que não é possível avaliar a ferramenta em si, mas o uso destinado a ela.

— Dentro destas duas realidades que são a morte e os perfis nas redes sociais, a alternativa oferecida é positiva, porque ela funciona como um álbum de fotografias, quer dizer, ele é firmado (o perfil) em experiências e momentos do passado — afirma a psicóloga.

A professora explica, por outro lado, que aqueles que alimentam os perfis de pessoas que já morreram — independentemente da plataforma — requerem atenção, porque, nestes casos, a rede está a serviço da não aceitação da realidade imposta:

— Manter o perfil com fluxo de postagens e escrever como se fosse a pessoa que partiu denuncia a dificuldade que este indivíduo apresenta em elaborar esta perda, em lidar com as frustrações da irreversibilidade da morte. Aí, é preciso, buscar auxílio profissional.

É preciso viver o luto, diz especialista

Por mais indigesta que seja a experiência de perda ou rompimento, é necessário atravessar o que estudiosos identificam como tarefas. Caso contrário, o indivíduo pode desenvolver o chamado luto complicado, ou seja, aquele que perdura, que faz com que a pessoa não consiga elaborar mentalmente a morte. Isso implica, por exemplo, em atitudes como a descrita acima, na qual um parente ou amigo permanece atualizando as redes sociais de quem partiu.

Caroline afirma que o enlutado precisa enfrentar as quatro tarefas para conseguir investir na própria vida e viver o presente. A oscilação entre momentos bons e outros de maior melancolia dentro destas etapas precisam ser respeitados e entendidos como parte integrante do processo, diz Caroline.

— É preciso normalizar essas curvas do processo. A sociedade cobra muito que estejamos bem, que a gente supere com rapidez e seja resiliente em tempo integral, mas cada um tem seu ritmo, seu modo particular de reação às perdas. O sofrimento é algo que diminui com o tempo, a dor se transforma em uma saudade nostálgica ao longo de meses ou anos — observa a psicóloga.

A primeira tarefa é aceitar a realidade da perda do outro no aspecto cognitivo e emocional. Por exemplo, manter o quarto da pessoa morta intacto ou responder nas plataformas sociais como se fosse ela são indícios de que esta etapa não foi superada, aponta Caroline. A segunda diz respeito ao se permitir sentir o falecimento seja por meio da tristeza, da raiva ou da culpa para, então, conseguir elaborar aquela morte para si.

Depois, será preciso ajustar a própria vida dentro da nova rotina sem a pessoa levando em consideração aspectos práticos (como a execução de tarefas do cotidiano), a sua posição no mundo sem a presença de quem partiu e, no caso dos que têm uma crença religiosa, o significado que aquela morte tem. Por fim, é preciso estabelecer uma conexão duradoura, ressalta Caroline.

— Isso acontece quando o Facebook traz uma lembrança e ela provoca uma saudade boa, sem que eu deixe de viver o presente — avalia.

Fonte: gauchazh

 

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