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OLHANDO OS FATOS A PARTIR DE QUEM SAIU PERDENDO NEM PODE DIZER NADA - Rádio Águia GV

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OLHANDO OS FATOS A PARTIR DE QUEM SAIU PERDENDO NEM PODE DIZER NADA

Histórias normalmente são contadas a partir do vencedor, de quem tem o poder da fala, da escrita, dos meios. O olhar de compaixão nasce onde alguém consegue enxergar um ocorrido pela ótica dos vencidos, dos sem voz e sem vez. Por pior que seja um cenário, ele sempre terá mais de uma versão para o mesmo fato.

Como terapeuta temente a Deus e respeitoso do valor do ser humano, ajudo mais quando tento entender o ser humano, para ajudá-lo a se conhecer e a se auto estimar. Vem dai todas as loucuras do mundo, independente se aplaudidas ou vaiadas pela sociedade.

No caso desse post, permita-me focar na cena em cima da ponte Rio Niterói um suntuoso helicóptero, um sequestrador morto, 38 cidadãos de bem libertos, famílias atônitas, policiais tensos e a chegada inoportuna de um governador oportunista e míope diante do contexto.

Quando vi na tela da Globo o mocinho Governador do Rio de Janeiro, a quem ajudei a chegar no segundo turno, descendo do helicóptero do Estado de braços em comemoração em cima da Ponte Rio Niterói, fiquei abismado e me perdoei pelo erro de ter estado nesse time.

O ex juiz parecia um torcedor fanático de algum time sem noção, que me perdoem o juízo de valor. Ali estava uma situação dúbia, num panorama bem controvertido. Tudo que cresce demais decresce aos olhos dos decrescidos.

A gloriosa polícia foi discreta, competente e firme. Teve oportunidade e fez o trabalho dela com impecável excelência. Salvou os reféns e mil vezes aplausos para todos os profissionais da segurança pública ali atuantes.

Também vão daqui zilhões de palavras de louvor a Deus e de felicidade a todos pelo livramento alcançado às pessoas vitimadas naquela infeliz ocasião.

Porém uma vida foi ceifada obrigatoriamente e ao que se parece não havia muito a inventar, fique bem claro.

Porém, um jovem totalmente descontrolado pela máquina mortífera que alimentamos nessa sociedade maluca, foi-se desesperado, antes do tempo, deixando para trás muita tristeza e vergonha aos seus familiares, que, enfrentando como dava, mais não puderam fazer.

Deu no que deu. O desencontro consigo mesmo do rapaz nos faz olhar o fato, o noticiário e os comentários gerais a partir da ótica de quem perdeu. De quem não tem onde reclamar e para quem as câmeras, holofotes, microfones, ouvidos, olhos e corações encontram-se fechados.

Loucura, loucura, loucura nesse tempo de ódio.

Mas um olhar de amor supõe compaixão e silêncio em momentos como esse.

Defendendo o sequestrador? Jamais. Atacando os que o criticam sem mesmo conhece-lo direito? Não, quem sou eu.

Apenas protestando pela atitude do Governador em que votei e para quem pedi votos madrugadas inteiras sem ganhar absolutamente nada além de alimentar o sonho de vê-lo criar um Rio de Janeiro melhor onde minha neta vive com seus pais atuantes no ramo da arte.

Num certo momento é preciso olhar tudo isso do ponto de vista da família que tentou tudo, mas mas conseguiu reverter os sintomas da depressão na alma do sequestrador. E, ao invés de ir-se como tantos outros, ele ansiou entrar para história dessa maneira tão torpe.

Encontrou-se com a morte, deixando a sociedade em pânico e a família coberta de luto.

Assim, a irmã dele veio a público lamentar que o “fim” do seu irmão tenha acontecido dessa forma e os julgamentos contra ele que surgiram após o sequestro.

Ela cita ainda que a “doença o venceu”, recorrência do quadro depressivo desenvolvido por ele pouco tempo antes dos fatos ocorridos.

“As pessoas que estão julgando, falando asneiras sem te conhecer são desumanas, e provavelmente devem ser perfeitas porque né… Na verdade não são perfeitas não, são podres por dentro, pessoas com coração ruim e que tem uma vida infeliz. Sei que você deixou a doença te vencer, é triste? Sim muito, sei que os últimos meses você estava sofrendo muito mas nunca deixou de nos amar, cuidar, e fazer a suas piadas.”

Falei, falei e não sei o que dizer. Como todos os passageiros de dentro daquele ônibus, respeitosos e humildes foram para a delegacia, de lá para casa e em casa permanecem calados, agradecidos e estupefatos. “Com aquilo que julgardes sereis julgados.”

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